1# SEES 16.4.14

     1#1 VEJA.COM
     1#2 CARTA AO LEITOR   ESPERA DE AJUDA
     1#3 ENTREVISTA  MAURO PAULINO  SER A ELEIO MAIS IMPREVISVEL
     1#4 MALSON DA NBREGA  A NOVA MATRIZ MACROECONMICA FRACASSOU
     1#5 LEITOR
     1#6 RODRIGO CONSTANTINO  VAMOS TAPEAR O ELEITOR?

1#1 VEJA.COM
PROFISSO: EXPORTADOR DE COCANA
Desdobramentos da megaoperao da Polcia Federal que apreendeu 3,7 toneladas de cocana no Porto de Santos mostram que as quadrilhas tentavam repetir o modelo de trfico em contineres tambm em Salvador e Santa Catarina. A Operao Oversea encontrou indcios dos caminhos usados pelos traficantes para lavar o dinheiro obtido nos crimes: so dezenas de empresas de fachada e at uma conta bancria em nome do Liceu de Artes e Ofcios de So Paulo. Reportagem de VEJA.com traz detalhes da ao da PF, entre eles a interceptao de mensagens trocadas pelos traficantes no aplicativo BBM, at pouco tempo considerado  prova de rastreamento. 

JARDINEIRO CASUAL
As trepadeiras so usadas com frequncia para cobrir muros feiosos ou inibir a ao de pichadores. As mais comuns so a unha-de-gato e a hera-japonesa. O programa em vdeo Jardineiro Casual mostra como escolher a melhor espcie e quais so as vantagens de cada uma. 

INIMIGOS NTIMOS
Real Madrid e Barcelona disputam mais uma final na quarta-feira 16 - e o tcnico da Espanha, Vicente Del Bosque, estar torcendo por um jogo morno e sem emoo alguma. Motivo: a rivalidade explosiva entre as equipes da capital e da Catalunha - uma briga histrica, inclusive com forte carter poltico - tem deixado feridas profundas no relacionamento entre os lderes de cada time. Reportagem no site de VEJA mostra que, como eles so tambm as principais figuras da atual campe da Copa do Mundo, essa rixa pode abalar o elenco da seleo que sonha ser bicampe do mundo.

VEJA COMPARA: TELEVISES
Grandes eventos esportivos, como a Olimpada e a Copa do Mundo, invariavelmente aquecem o mercado de televisores. Para ajudar na deciso de quem vai comprar um novo aparelho, o site de VEJA estreia VEJA Compara. A ferramenta traz informaes detalhadas sobre mais de vinte modelos de TV testados pelos editores do site, permite que o leitor os compare e tenha todos os dados para realizar a melhor compra.


1#2 CARTA AO LEITOR   ESPERA DE AJUDA
     A Carta ao Leitor da edio de 19 de maro passado chamava ateno para a reportagem da jornalista Nathalia Watkins, que, de Caracas, relatava a humilhao diria das pessoas submetidas  escassez de comida nos supermercados e seu sofrimento sob as botas das tropas de represso do governo de Nicols Maduro. Naquela ocasio, Nathalia ouviu relatos espantosos sobre a institucionalizao da tortura na Venezuela. Ela prometeu a si mesma voltar e falar pessoalmente com as vtimas em Caracas e outras quatro cidades. Foi o que fez na semana passada em companhia do fotgrafo Luiz Maximiano. Diz Nathalia: "Nunca vou esquecer a voz daqueles jovens vidos por contar os perigos que correm ao se opor ao governo e cheios de esperana de que o Brasil os ajude a se livrar do regime de terror". 
     O resultado do trabalho da dupla  a reportagem que comea na pgina 88 e que deveria ser leitura obrigatria para os integrantes das dezenas de comisses da verdade criadas no Brasil para apurar os abusos de agentes do governo durante o regime militar que terminou h 29 anos. Nessas comisses, sustenta-se que o crime de tortura  imprescritvel. A tese  amparada por jurisprudncia internacional. Recentemente, a presidente Dilma Rousseff, que foi presa e torturada no regime militar, reafirmou a posio do Estado brasileiro de respeito aos pactos de pacificao feitos no passado e que, na forma de uma Lei da Anistia tambm para os torturadores, abriram caminho para a redemocratizao. A tortura, est claro,  uma questo viva no Brasil. Isso  positivo, pois, como j se disse, o destino da tortura depende do destino do torturador. Sendo politicamente vivel que torturadores possam ser perdoados,  um equvoco esquecer seus atos. 
     Pior ainda  fingir que no os v. No h explicao para o silncio do governo brasileiro e para a cegueira de nossas organizaes de defesa dos direitos humanos em relao  tortura na Venezuela. A reportagem de VEJA mostra que as vtimas so jovens presos sem acusao formal e torturados pela polcia poltica nos crceres do governo. Eles esperam a solidariedade pessoal de Dilma, uma vez que a diplomacia se tornou conivente com o governo de Caracas sob o pretexto cnico de que "no h nenhum pas no mundo que no tenha problemas de direitos humanos", na expresso de Luiz Alberto Figueiredo, chanceler brasileiro. 
     Por esse prisma, que se cancelem, ento, as atividades de elucidao de casos de tortura por aqui, pois durante a ditadura o Brasil teria sido apenas um pas "com problemas de direitos humanos". Ser que, no fundo, a tortura, enquanto crime contra a humanidade, execrvel em qualquer tempo ou lugar, no sensibiliza o Planalto nem as comisses da verdade? Ser que a condenam apenas quando praticada por adversrios? Os garotos torturados na Venezuela anseiam para que a resposta a essas perguntas seja "no" e que Braslia lhes d logo uma prova concreta disso. 


1#3 ENTREVISTA  MAURO PAULINO  SER A ELEIO MAIS IMPREVISVEL
O diretor do Datafolha diz que a alta rejeio  classe poltica, o desejo de mudana do eleitorado e a Copa do Mundo fazem com que esta eleio seja diferente de qualquer outra.
OTVIO CABRAL

O socilogo Mauro Paulino est desde 1986 no Datafolha, o nico instituto do pas que no faz pesquisas para partidos polticos. Ele acompanhou todas as eleies presidenciais desde a redemocratizao  e acertou a grande maioria dos resultados. Com base nessa experincia, diz que a eleio presidencial deste ano rene elementos que fazem dela um desafio indito para os pesquisadores. Embora a economia continue a ser o fator mais influente, afirma, ela j teve peso maior antes. Hoje, o brasileiro est muito mais crtico em relao aos polticos e mais exigente quanto ao que espera deles. Para o pesquisador, o ex-governador Eduardo Campos  o candidato de oposio com mais chance de conquistar esses descontentes. 

Pelos dados da ltima pesquisa, j  possvel dizer que a eleio presidencial ser decidida em dois turnos? 
A principal caracterstica desta eleio  a imprevisibilidade. Qualquer eleio neste perodo  imprevisvel, mas tem alguma lgica. Em 2010, por exemplo, Dilma era desconhecida de boa parte da populao, mas tinha um cabo eleitoral com grande potencial. Ento, havia como fazer simulaes, dez meses antes, mostrando como Lula poderia transferir votos para eleg-la. Mas agora isso no  possvel. Surgiu um fato na eleio deste ano que  completamente novo: a Copa do Mundo no Brasil, bem no meio do perodo da campanha. 

Copa influencia eleio? 
Normalmente, no. Tanto que, em 2002, o Brasil foi campeo e o partido do governo perdeu. E, em 2006 e 2010, o Brasil perdeu e o partido do governo ganhou. O que importa agora no  o desempenho do Neymar, mas a organizao, o sucesso ou o fracasso do Brasil como anfitrio. Outra coisa a levar em conta  a possibilidade de haver novas manifestaes. Neste clima de hoje, em que o brasileiro est mais crtico em relao ao governo do que estava em junho passado, pode-se criar um ambiente que influencie diretamente a eleio. S no d para saber em que direo.

Esta  a eleio mais difcil para os institutos de pesquisa desde 1989?
Sem dvida,  a mais imprevisvel. A ltima pesquisa mostra que os trs principais candidatos tm um elevado ndice de rejeio  o que, no fundo, revela uma averso generalizada  classe poltica. A expectativa de inflao alta e um desejo de mudana muito grande de 72% da populao tornam o resultado das urnas ainda mais imprevisvel.

Em 2002, havia um sentimento de mudana e o partido no poder perdeu. Nas duas eleies seguintes, o sentimento era de continuidade e o governo venceu. Agora, o sentimento  de mudana, mas o governo lidera. No  uma contradio? 
H um desejo de mudana da parte da populao, mas h tambm um reconhecimento por ganhos, principalmente entre os mais pobres, o que fortalece o candidato do governo. A oposio no se apresentou ainda. Ou digamos que, no pouco que apresentou, no convenceu. 

Qual dos opositores tem mais condies de conquistar esses descontentes? 
 primeira vista, Campos. Ele conseguiu, logo aps as aparies na televiso, elevar um pouco suas intenes de voto, coisa que o Acio no conseguiu. Alm disso, a Marina Silva, sua provvel candidata a vice, tem uma capacidade de transferncia de votos maior do que os cabos eleitorais do Acio  maior do que o Fernando Henrique, principalmente. Mas ainda  cedo para ter uma anlise conclusiva, j que os dois so muito desconhecidos: 60% s ouviram falar do Acio ou no o conhecem. E 75% dizem o mesmo de Campos. Eles tm o trunfo de ser bem avaliados onde so conhecidos, mas precisam espalhar essa popularidade. 

Dilma tem 36% de "timo" e "bom". A partir de qual taxa de aprovao a reeleio fica impossvel? 
H um estudo que comparou as taxas de "timo" e "bom" dos governadores e presidentes com o sucesso de sua reeleio. Ele concluiu que o limite mnimo de "timo" e "bom" para um governante se reeleger  de 34%. A presidente Dilma est com 36%. Esse marco funcionou nas ltimas quatro eleies presidenciais brasileiras. 

Qual o maior adversrio de Dilma? 
 a economia. Os ndices de preocupao com o futuro so mais contundentes do que os observados antes das manifestaes  65% acham, por exemplo, que a inflao vai aumentar.  a maior taxa desde o governo Fernando Henrique. 

Do mesmo modo que a economia ajudou Lula a fazer sua sucessora, agora pode impedir a reeleio de Dilma?
 Pode ser. A economia continua sendo o fator mais influente, mas em eleies anteriores teve peso maior. Hoje, o eleitor tambm est muito crtico em relao  qualidade dos servios pblicos. O brasileiro teve uma melhora de vida, mas os servios pblicos e privados sofreram deteriorao. Isso faz com que tanto a nova classe mdia como a classe mdia tradicional estejam bastante descontentes.  Esse descontentamento pode chegar s urnas.

As denncias de corrupo na Petrobras tm potencial de desgastar eleitoralmente o governo?
Sem dvida. Mais da metade da populao tomou conhecimento do caso Petrobras. Esse  o escndalo do momento, embora haja um acmulo de notcias de corrupo que no envolvem s o governo, mas tambm a oposio.  Isso cria uma rejeio  classe poltica que talvez s tenha tido similar na ocasio do impeachment de Collor.

Os programas sociais fidelizaram o eleitorado mais pobre ao PT? 
A fidelidade existe. Esses benefcios so diretamente associados ao governo petista, principalmente ao Lula. Mas existe tambm um crescimento do esprito crtico desse eleitorado. S o Bolsa Famlia no  mais suficiente, j foi incorporado. O eleitor quer mais. 

Fala-se na hiptese de Lula vir a ser candidato no lugar de Dilma. Mas, pelo fato de ter sido ele o principal responsvel pela candidatura da presidente, o eleitor no poderia interpretar essa substituio como um fracasso do petista? 
No medimos isso. Certamente haveria um desgaste para ele, mas isso seria rapidamente superado. Lula hoje lidera disparado como o nome mais capacitado para "mudar". Poderia captar a memria afetiva de seu governo e, ao mesmo tempo, encarnar esse esprito de mudana. O "Volta Lula"  justificvel em nmeros. 

Quais os maiores desafios de Acio? 
 se tornar conhecido com o pouco tempo de que vai dispor na televiso. Ele precisa encaixar um discurso que contemple os anseios de mudana. E superar a elevada rejeio que h ao governo Fernando Henrique. 

E os de Campos? 
Os mesmos do Acio, com a vantagem de no ter de superar essa rejeio de um cabo eleitoral. A desvantagem  que ele tem um partido menor e menos tempo de televiso. 

Na ltima eleio presidencial, um quarto do eleitorado no escolheu candidato. As pesquisas mostram que esse dado pode se repetir? 
H uma probabilidade de que a taxa de brancos e nulos seja ainda maior. O legado emocional da Copa pode contribuir nesse sentido. O Datafolha apurou que o porcentual da populao que tem orgulho de ser brasileiro caiu de 87% para 78%.  a primeira queda em treze anos. O porcentual dos que dizem ter vergonha de ser brasileiros subiu de 11% para 20%. Se essa decepo aumentar com a Copa, pode se refletir em uma maior absteno. 

O brasileiro d importncia demais s pesquisas eleitorais? 
De fato, d-se uma importncia s pesquisas, principalmente em perodos ainda pr-eleitorais como agora. No vejo justificativa para um resultado de pesquisa, nesta fase, provocar variaes na bolsa. Em nenhum outro lugar do mundo  assim. 

Sites e blogs financiados pelo PT, pelo governo e por estatais acusaram o Datafolha de alterar a ordem das questes da pesquisa para prejudicar Dilma. Tem fundamento? 
Isso  uma grande mentira. Em anos eleitorais, os questionrios do Datafolha sempre comeam com inteno de voto e avaliao de governo. Depois disso, vm outras perguntas para ajudar a explicar o processo eleitoral. A internet, da mesma forma que democratiza a informao, tambm permite uma disseminao criminosa de notcias falsas. 

Pesquisa influencia voto? 
Claro.  uma informao cada vez mais difundida, que o eleitor leva em conta junto com outras que recebe. Acho legtimo que influencie. Democracia  isso, um jogo de influncias.  

As pesquisas contam com recursos cada vez mais refinados. Por que a taxa de erros no cai? 
Existe um erro comum em pesquisa que  a tentativa de projetar os resultados de hoje para o futuro. Quando o Datafolha divulga que Dilma neste momento caiu 6 pontos, est mostrando o quadro atual, no o resultado da eleio. Nem  uma tendncia ainda, j que  preciso mais uma pesquisa para confirmar a continuidade da queda. Nada impede que ela se recupere daqui a um ms  e, a, toda essa especulao que se fez cai por terra. O que no cai  o dinheiro que ganharam os especuladores que se locupletam com base nessas notcias. Muitas vezes as pessoas esquecem uma frase que  to chavo quanto verdade: a pesquisa  a fotografia do momento. As pesquisas so feitas porque no d para consultar a totalidade da populao toda semana. Ento, inventou-se o processo de amostragem para conseguir ter um resultado aproximado a respeito do que pensa determinada parcela da populao sobre determinado tema. Isso gera uma srie de limitaes para o mtodo  limitaes que so definidas pela margem de erro e pelo intervalo de confiana. No caso da ltima pesquisa presidencial do Datafolha, a margem de erro  de 2 pontos percentuais e o intervalo, de 95% de acerto. Significa que, se fizermos 100 pesquisas, nas mesmas condies, em 95 delas o resultado estar dentro dessa margem. 

O que o senhor acha do projeto de proibir a divulgao de pesquisas pouco antes das eleies? 
Pesquisa  a grande paixo dos polticos.  uma paixo to grande que eles querem as pesquisas s para eles. Querem ter o poder de divulgar s quando interessa. Se h um consenso no Congresso hoje  o de que  necessrio proibir a divulgao de pesquisas quinze dias antes da eleio. Mas  preciso lutar contra isso. Toda restrio  antidemocrtica. O eleitor tem o direito de considerar essa informao para definir o seu voto. Ele tem discernimento. O maior acerto que um pesquisador pode ter  conseguir dar antes de outros institutos uma subida ou uma queda importante. A, a gente comemora. 

Qual a lio a tirar desse erro do Ipea, que divulgou que 65% dos brasileiros concordam que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas", quando o nmero correto  26%? 
O Ipea teve o mrito de corrigir o seu erro. Mas mesmo os nmeros corrigidos podem continuar a suscitar dvidas. A pesquisa domiciliar, da forma como o Ipea fez, distorce a amostragem. Eles ouvem os pesquisados em casa, durante o dia. Nesse horrio  mais provvel encontrar em casa pessoas mais velhas, mulheres e pessoas com baixa escolaridade. Esses perfis no so representativos da populao brasileira. Na amostra de entrevistados do Ipea, mais de 65% so mulheres, enquanto a taxa real da populao brasileira feminina  de 52%. Eu no concordo com quem d valor a essas aferies meramente probabilsticas. A confuso recente do Ipea s reforou minhas convices. Foi um erro que manchou a credibilidade no s deles, mas de todos os institutos de pesquisa. 


1#4 MALSON DA NBREGA  A NOVA MATRIZ MACROECONMICA FRACASSOU
     Em 2012, o Ministrio da Fazenda anunciou a nova matriz macroeconmica. Completava-se a reao, iniciada em 2009,  poltica econmica adotada por Lula em 2003, a mesma que ele havia recebido de FHC. No terceiro ano da novidade, o fracasso  inequvoco. 
     O PT tinha ideias estranhas, que iam de limites para o pagamento de juros da dvida pblica a intervenes de toda ordem na economia. O medo da eleio de Lula em 2002 vinha dos problemas implcitos nessas ideias, no programa do partido e no seu ttulo: "Uma ruptura necessria". Mercados sabem precificar riscos, mas no incertezas. 
     Lula no mudou a poltica econmica, como se temia. Muito por causa disso, o crescimento econmico se acelerou e as polticas sociais se expandiram. Se ele tivesse adotado as ideias do PT, poderia ter mergulhado o pas em uma crise que prejudicaria a economia, a gerao de empregos e a viabilidade do Bolsa Famlia. 
     A direo do PT discordou da poltica econmica de Lula em vrios documentos. Os mercados, ao contrrio, acreditaram nela. A confiana no Brasil aumentou. Em 2008, ganhamos o grau de investimento.  
     A poltica econmica no foi inventada por FHC. Ele teve apenas o discernimento e a liderana para adot-la. O chamado trip macroeconmico  metas para a inflao, cmbio flutuante e austeridade fiscal  vigora em todos os pases desenvolvidos e em grande nmero dos emergentes. Resulta de uma evoluo histrica decorrente da prtica da gesto de governos e de avanos da teoria econmica. O regime de metas para a inflao, o mais novo desses componentes, surgiu em 1990, na Nova Zelndia. Seu xito ganhou seguidores. 
     Tem sido assim h pelo menos 500 anos. Na Europa do sculo XVI, a teoria e a prtica recomendavam o mercantilismo, que atribua a riqueza de uma nao ao estoque de ouro e prata. Quem no explorasse tais minrios deveria adotar medidas para aumentar exportaes e diminuir importaes. O saldo positivo era pago nesses metais preciosos. No sculo XVIII, os fisiocratas franceses sustentavam que a agricultura era a nica fonte de riqueza. Nenhuma dessas teorias resistiu ao teste do tempo. 
     No Brasil, ns nos demos conta de que no se combate inflao com controle de preos, que gastos pblicos excessivos inibem o crescimento e que a poltica monetria pode estabilizar os preos. Penamos, mas com a teoria e a experincia aprendemos essas verdades simples. 
     A nova matriz macroeconmica gerou retrocessos. O Banco Central foi forado a baixar os juros. O controle de preos voltou. A gesto fiscal foi vtima da contabilidade criativa, que escondia a exagerada expanso dos gastos. O mercado de cmbio sofreu intervenes para atender a vises de mundo que atribuam  desvalorizao cambial a fonte da competitividade dos produtos exportveis. 
     O ministro da Fazenda se vangloriou da guinada e adotou polticas de estmulo ao consumo na expectativa de despertar o instinto animal dos empresrios, que investiriam para aumentar a oferta. Cmbio desvalorizado e juros baixos ampliariam a disposio de investir. A reduo voluntarista das tarifas de energia eltrica elevaria a competitividade e o investimento. Nada disso funcionou. O investimento depende do ambiente de negcios e de previsibilidade, que foram prejudicados pelo intervencionismo excessivo. A "matriz" colheu resultados distintos do imaginado. O investimento caiu de 19,5% do PIB, em 2010, para 18,4%, em 2013. A meta para a inflao, de 4,5%, nunca foi alcanada. A mdia de crescimento do perodo Dilma ser de apenas 2%. A classificao de risco foi rebaixada. 
     O governo recuou. A taxa de juros (Selic) voltou a subir e j chegou a 11%. Era 10,75% quando Dilma assumiu. As intervenes no mercado de cmbio foram revistas. Anunciaram-se metas fiscais livres de malabarismos financeiros e da contabilidade criativa. Menos mau. Isso prova que o pas dispe de instituies que inibem a continuidade de aes populistas. 
 possvel reverter equvocos de gesto econmica, inclusive por quem os cometeu. Fica o custo, que  a perda de oportunidades. O atual fracasso poderia convencer o governo a restabelecer na sua plenitude o trip macroeconmico. A "matriz" j era. 
MALSON DA NBREGA  economista 


1#5 LEITOR
O PT E A PETROBRAS
D para reconhecer de longe que a Petrobras foi vtima da administrao petista ("A marca da runa vai ficar", 9 de abril). Enumerando, eis o que temos: 1) corrupo disseminada: 2) loteamento de cargos; 3) propaganda ufanista; 4) incompetncia generalizada. Falta apenas uma ponta para dar a volta completa na estrela do partido: 5) arranjar uma desculpa esfarrapada para tentar justificar o fracasso.  esperar para ver. 
MARCUS DE MEDEIROS MATSUSHITA 
Barretos, 
SP 

A estrela fantasmagrica da capa de VEJA  bem o retrato da desgraa e do terror. O que o PT est fazendo com o Brasil , de fato, assustador. O que o PT est fazendo com a Petrobras  apenas uma pontinha do iceberg. Vm muito mais coisas por a... 
ANTNIO G. SILVA 
Paulo Afonso, BA 

O correto seria dizer: "Como o PT est afundando o Brasil". Qualquer cidado que faa os clculos sabe que, se gastar mais do que ganha, no conseguir pagar as contas e no vai ter nenhuma reserva para imprevistos e investimentos. Como se explicam os gastos do governo? Fazendo despesas monstruosas em obras inteis ou financiando obras em pases vizinhos, quando no consegue fazer o bsico? Se for para investir em sade, educao, segurana, estradas, a resposta  que no tem dinheiro, e de onde est saindo o dinheiro para os estdios? Para a reforma do porto em Cuba?  uma questo de reeleio... e vai estourar. No existe Lei de Responsabilidade para o governo federal? Em 2015 afunda o sistema financeiro. 
CARLA DE CARLI 
Bag, RS 

A matria de VEJA esclarece por que a patota do PT esperneava tanto, com tantas  caneladas, diante das privatizaes do governo FHC: no iria sobrar nada para ela. s ratazanas restou a PTrobras, a qual parentes e amigos glutes dos nossos comandantes tero o prazer de roer at emergirem suas carcaas. 
RODOLFO JESUS FUCUJI 
So Paulo, SP 

A edio 2368 de VEJA foi um tiro certeiro no "modo petista de governar". Eles diziam, na dcada de 80, que, chegando ao poder, fariam tudo diferente. Fizeram: inovaram o modo de operar contratos que financiam a permanncia do partido no poder. Esto conseguindo quebrar a Petrobras. 
MARCOS ROSETTI 
Braslia, DF  

Vargas, Youssef & Petrobras: so relaes notadamente esprias como essa que afundam o Brasil em um fosso abissal de incertezas acerca do futuro da nao. 
ROBERTO LAPA 
Carpina, PE  

ANDR VARGAS 
Observando na pgina 56 a foto do deputado federal Andr Vargas (PT/PR), acompanhado do que parece ser a sua famlia, fiquei imaginando como ser que ele educa os seus rebentos, como explica a eles essas suas conversas "secretas" e os seus negcios suspeitos ("O plano era enriquecer", 9 de abril). Ser que ele explica que os malfeitos valem a pena e que nada ser descoberto? Como pai de famlia e exemplo que deveria ser, como ele se sente? 
HLIO SOUZA OLIVEIRA 
Tiet, SP 

CARTA AO LEITOR
O punho fechado do deputado Andr Vargas, ao lado do ministro Joaquim Barbosa, imitando o gesto de Genoino e Dirceu quando foram presos,  um soco dado por ele e pelo PT nos cidados brasileiros, como quem diz: ns podemos tudo, e vocs tratem de aceitar todo o mal, toda a roubalheira, toda a corrupo que perpetramos caladinhos ("O que o senhor tem a esconder?", Carta ao Leitor. 9 de abril).. Se Vargas tivesse dado aquela cotovelada em Joaquim Barbosa, teria atingido a nao inteira. 
LUS CARLOS CARVALHO 
Joo Pessoa, PB 

J.R. GUZZO 
Guzzo ("Caixinha mgica", 9 de abril)  um alento  nossa inteligncia. A patifaria  to grande que s vezes pensamos estar sozinhos no mundo. Conclui-se que a "Marcha das Panelas", que obrigou os militares a sair dos quartis, h meio sculo, foi insuficiente para reconduzir nosso pas aos trilhos. Todos esses pilantras envolvidos deveriam ter um julgamento sumarssimo! Nunca sabem de nada. Suas contas deveriam ser reviradas, e eles deveriam ter confiscados todos os seus bens, afanados aos brasileiros, que no tm escolas, hospitais, segurana, previdncia. Somos escandalosamente furtados e ainda querem novos impostos, reajuste de combustveis, cujo custo fica s necessidades de cobrir a negritude dos "buracos", ou melhor, crateras, ardilosas mas grotescamente chafurdadas. Obrigado, Guzzo! 
MAURCIO ALVES 
Vila Velha, ES 

CARROS NAS METRPOLES 
 inegvel que os avanos tecnolgicos apresentados na reportagem "Para onde eles vo?" (9 de abril) contribuiro para melhorar o trnsito. Percebe-se, porm, que os novos dispositivos no tornam os automveis menos poluentes e so solues para o futuro. H necessidade de que medidas de curto prazo sejam desenvolvidas para aperfeioar rapidamente o trfego catico das grandes cidades brasileiras, como So Paulo. Para tanto, tomar como exemplo as cidades de Seul, na Coreia, Estocolmo, na Sucia, e Tquio, no Japo, apresentadas na reportagem, parece um bom ponto de partida, desde que haja aes efetivas do governo e participao ativa do cidado. 
MARIANA FANINI LEITE 
Curitiba, PR 

Com referncia ao trnsito urbano, todos temos s uma certeza: ele ainda vai piorar, e muito. Entendo que ns, cidados e integrantes do problema, no podemos deixar que somente os governantes busquem solues para essa serissima questo. Alguns procedimentos prticos precisaro e devero ser adotados urgentemente. Temos de abandonar a comodidade e evitar tirar o carro da garagem para pequenos deslocamentos, que podero ser feitos a p; a sade e o trnsito agradecero. Devem ser priorizadas as compras em estabelecimentos prximos da residncia, o mesmo valendo para prestao de servios  academias de ginstica, sales de beleza etc. Mas o objetivo essencial a ser perseguido  que as pessoas tentem morar o mais prximo possvel do local de trabalho e/ ou escola dos filhos, reduzindo ou at mesmo excluindo o uso do carro para deslocamentos do cotidiano.  fundamental que estejamos sempre com o pensamento empenhado no sentido de encontrar solues para esse desafio que aflige a todos ns. 
SIDNEY PEREIRA DE SOUZA 
Montes Claros, MG 

At que enfim algum aciona o alarme a respeito da grave calamidade que nos atinge, representada pelo excesso de carros em toda parte. Mais uma vez, a nossa VEJA  pioneira em levantar o problema, uma catstrofe para a qual ningum parece ligar. Vamos falar mais de transporte solidrio, de transporte sobre trilhos circulando pelos centros das cidades e de pedgios pesadssimos para evitar o acesso, ali, de carros particulares. 
ALBERTO FERREIRA 
Rio de Janeiro, RJ 

Tenho duas solues: primeiro, os veculos, com tanta automao e tecnologia, poderiam registrar o nmero de passageiros circulando neles por dia ou ms, e o governo oferecer bnus ou descontos em impostos aos veculos que circularem com mais passageiros num determinado perodo; a outra sugesto  construir motovias elevadas  seriam diversos viadutos apenas para motos. 
ARCANGELO SFORCIN FILHO 
So Paulo, SP 

Se a indstria automobilstica no pode parar de fabricar carros, pois h uma cadeia produtiva muito grande atrelada a essa produo, restam poucas esperanas para solucionar o problema do trnsito em So Paulo e, inevitavelmente, a melhoria do transporte coletivo  uma delas. Porm, como  do conhecimento de todos, esse transporte hoje no atende s necessidades da populao e vive lotado nos perodos de maior necessidade. 
ANTONIO CARLOS DAMM 
So Paulo, SP 

COPA 2014 
Mais um gol contra. Pelo jeito, no  s o dinheiro que se diz estar em escassez, mas tambm a segurana para a construo dos estdios ("Morte anunciada", 9 de abril). O Ministrio do Trabalho fecha os olhos para a falta de instrues e equipamentos de proteo ao operrio, para qu? Para conseguir terminar o estdio em tempo. Absurdo! Total inverso de valores para o Brasil, que se diz "um pas de todos", deixando mais uma vida, depois de outras seis, para trs. 
BRUNA LOBO DA ROSA DE ALMEIDA 
Curitiba, PR 

LYA LUFT 
Ler o artigo "O tempo  um rio que corre" (9 de abril), de Lya Luft,  quase uma confisso ou um encontro mgico comigo mesmo. Concordo em gnero, nmero e grau quando Lya fala do encantamento de escrever. Escrever  aprender a enfrentar a solido, a no possuir mscaras, a se desnudar diante da vida. No me envergonho de me deixar vencer pela nsia incontida de escrever: escrever o que sinto; escrever sobre as dores que me afligem. Anos a fio, aos 65 anos, continuo assim. A velhice atingiu minha "carcaa". Minha alma continua quase intacta diante das adversidades da vida. Continuo sonhando. Continuo buscando. Continuo escrevendo... 
MARIA DAS GRAAS TARGINO 
Teresina, PI 

O PT E A PETROBRAS 2
Em relao  reportagem "O plano era enriquecer" (9 de abril), a EMS esclarece que no celebrou contrato e no possui vnculo algum com o laboratrio Labogen. A empresa informa, ainda, que foi escolhida pelo laboratrio oficial da Marinha, responsvel pela contratao de parceiros privados na PDP em questo, e ressalta que no  alvo de investigao pelas autoridades e apoia as apuraes sobre o caso. 
PEDRO SCUDELLARI FILHO 
Diretor jurdico corporativo da EMS 
Hortolndia, SP 

CARTEL DOS TRENS 
Sobre a reportagem "Suprema Corte  vista" (9 de abril), informo corretamente aos leitores que o procurador-geral da Repblica no me incluiu entre os polticos a ser investigados por suspeita de participao no suposto cartel do Metr de So Paulo. Erra a revista quando afirma que eu teria sido citado entre os que teriam recebido dinheiro de empresas fornecedoras do Metr. Na verdade, em nenhum momento nem o denunciante Everton Rheinheimer nem autoridades que dirigiram as investigaes sobre o caso em So Paulo jamais lanaram essa suspeita sobre mim. O que existiu, na verdade, foi a afirmao de Rheinheimer, por delao premiada, de que eu teria relao "estreita" com o empresrio Arthur Teixeira, um dos investigados. Eu demonstrei cabalmente que meu relacionamento com Teixeira, longe de ser "estreito", foi estritamente institucional, no mbito das minhas atribuies e ocorreu h mais de vinte anos, quando fui secretrio dos Transportes Metropolitanos e ele um respeitado empresrio do setor ferrovirio. Assim, nada mais natural que a excluso do meu nome de qualquer investigao. 
ALOYSIO NUNES FERREIRA 
Senador (PSDB-SP) 
Braslia, DF 

PESQUISA DO IPEA
O erro crasso do Ipea quanto ao resultado da pesquisa sobre o estupro demonstra incompetncia ("Desce", 9 de abril). Um assunto que mexeu tanto com a opinio pblica foi divulgado de maneira leviana por esse instituto, que, pior ainda, levou mais de dez dias para descobrir essa tremenda falha. Est sepultada para sempre a credibilidade desse instituto. 
AGOSTINHO WOLFART 
Por e-mail 

SRIE GAME OF THRONES 
Sou f da srie Game of Thrones. Adoro as tramas, os personagens, os figurinos, o humor tenso e as surpresas que aparecem em cada episdio. Estava me divertindo com as comparaes muito inteligentes, por sinal, dos personagens com os polticos na reportagem "O poder de fantasia" (9 de abril). At que deparei com Daenerys Targaryen  que, junto com Jon Snow,  a minha preferida da srie  sendo comparada com.... Lula! Podia ser com Eva Pern, Bill Clinton, Gandhi, sei l. Mas com Lula no d. 
KATIA TELLES NOGUEIRA 
Por e-mail 

LIVRO O PROFESSOR 
Adorei a resenha do livro O Professor, de Cristvo Tezza ("Um lance de mestre", 9 de abril). Como professora de literatura brasileira, fiquei ainda mais feliz, pois agora poderei explicar aos meus alunos a figura de linguagem anacoluto utilizando as falas da presidente Dilma Rousseff. 
VERA LCIA PEREIRA CEZAR 
Petrolina (PE), via tablet 

ENEM 
Achei muito interessante a parceria que VEJA.com fez com o AppProva para desenvolver e disponibilizar simulados do Enem via internet ("O Enem com mtodo", 9 de abril). A possibilidade de sermos avaliados antes da prova, ter nosso potencial analisado e verificar o que precisamos melhorar para o verdadeiro teste traz muito mais confiana e preparo para os futuros vestibulandos. Com certeza, o desempenho dos alunos no exame vai melhorar bastante. 
ROBERTA HELENA DE SENA 
Curitiba, PR 

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1#6 RODRIGO CONSTANTINO  VAMOS TAPEAR O ELEITOR?
     O presidente da Infraero, em entrevista recente, disse que a estatal poderia "tapear as obras" nos aeroportos, que esto bem atrasadas. Aps grande repercusso, Gustavo do Vale se justificou, alegando que quis dizer "etapear", um neologismo que significaria dividir em etapas as obras. Se foi ato falho ou no, o que importa  que o termo usado define com preciso a realidade. A marca registrada do atual governo tem sido justamente a substituio do foco nos resultados pela obsesso com as urnas. Enfim, uma administrao em que o marqueteiro tem poderes de primeiro-ministro. H precedentes perigosos na histria de governos com tanto poder concentrado no homem da propaganda oficial. Tudo no governo atual visa s aparncias, e apenas isso. A inflao, por exemplo. O IPCA de maro, divulgado nesta semana, foi o mais alto do ms em onze anos. Em doze meses j acumula uma alta de 6,15%, muito perto do teto da banda oficial. Ainda assim,  um nmero tapeado, pois boa parte dos preos administrados pelo governo se encontra congelada, medida insustentvel cujo custo ficar para depois das eleies. 
     Tome-se o caso da energia. O governo Dilma fez um escarcu em redes de televiso e rdio para comunicar a queda nas tarifas de luz, mas era  uma medida demaggica e insustentvel. Com menos investimentos, corremos o risco de apago e racionamento, mesmo com baixo crescimento econmico. A conta ser inevitavelmente paga pelo consumidor, mas o governo tenta ganhar tempo para tapear o eleitorado. 
     Com a gasolina  a mesma histria. Preos represados para no impactar ainda mais a inflao. Mas, alm de isso estimular o uso excessivo de carros, representando um subsdio que os pobres pagam aos ricos, afetou drasticamente a gerao de caixa da Petrobras. A estatal j no est em sua melhor fase de gesto, com decises tomadas por critrios polticos que produziram prejuzos bilionrios. E o governo tanto fez que conseguiu impedir at agora uma CPI que investigue a empresa. O eleitor foi tapeado uma vez mais. 
     As tarifas de nibus foram congeladas, especialmente aps as manifestaes que tomaram as ruas do pas. Mas algum acha que elas podem ficar inalteradas eternamente, com esse patamar de inflao? Claro que no. Porm as eleies esto logo ali, ento vale mais uma tapeada. As obras do Programa de Acelerao do Crescimento (PAC), que chegou a ser a maior vitrine eleitoral de Dilma, no s esto atrasadas, como vrios investimentos corriqueiros foram jogados para dentro do programa para inflar suas cifras. A "me do PAC" j anunciou a terceira etapa do programa enquanto nem a primeira foi terminada. 
     O programa Mais Mdicos foi anunciado com muita fanfarra. Um pas com 200 milhes de habitantes no tinha como conseguir 10.000 mdicos ou enfermeiros, e por isso teve de importar da minscula e falida ilha caribenha esses profissionais, na condio de escravos. Ningum vai sentir efetivamente melhora na sade pblica com isso, mas o impacto eleitoral do slogan  grande. As contas pblicas pioraram substancialmente nos ltimos anos, pois o governo s faz aumentar seus gastos e seu endividamento. O que fazer ento? Cortar os gastos d muito trabalho e pode ser impopular.  muito melhor esconder os nmeros com truques rudimentares. Entra o BNDES em campo, a Petrobras "exporta" plataformas que continuam em nossos mares. Tudo para tapear os eleitores. 
     Com o aumento da percepo de risco do atual governo pelos investidores, a taxa de cmbio acaba pressionada, pois muitos retiram capital do pas. Mas, se o dlar subir muito, isso ter impacto na inflao, que j est muito alta. O cobertor  curto. O que fazer? Vender quase 100 bilhes de dlares em swaps cambiais para segurar artificialmente o preo da moeda estrangeira, ora bolas. No aparece como reduo das reservas cambiais e d uma boa tapeada nos eleitores. A presidente seria intransigente com os "malfeitos". A cada nova denncia, descoberta e trazida  tona pela imprensa independente, um ministro ou subalterno pedia demisso. Era a "tolerncia zero". S que no foi bem assim. Vrios voltaram pouco tempo depois para o governo. Dilma, a "faxineira tica", foi apenas outra construo de marketing para tapear os eleitores. 
     O governo no se importa com o impacto dessas tapeaes. Tudo o que importa  vencer as eleies, continuar no poder. 


